Vogue Portugal Underground

Trilha sonora original para a versão audiovisual do editorial “Hide & Seek”, capa da edição “Underground” da Vogue Portugal de Outubro de 2021.

A construção da música se encontra dentro de um espectro da música eletrônica de BPM mais baixo do que o convencional, também chamado de Downtempo. Para a instrumentação, sintetizadores funcionam como camas harmônicas atmosféricas onde a batida consegue se sobressair, sustentadas por um baixo sintético que, por vezes, sustenta a harmonia em uma nota só ou sustenta a melodia através de um arpejo. Uma parte do beat também adquire função melódica por estar afinada de acordo com a escala musical utilizada, principalmente quanto ao bumbo e aos tons, feitos a partir do timbre clássico da bateria eletrônica Roland 808.

A forma final da música se consolidou através de algumas idas e vindas com a equipe de montagem do vídeo para que algumas transições ficassem marcadas nos momentos certos, de forma a sustentar a narrativa visual desejada pelo diretor.

Lote

A Lote nasceu sem pressa, em meio ao caos e desequilíbrio, a partir de uma reorganização de ideias e ressignificação de processos criativos da sua idealizadora, Luiza Tiezzi, que é estilista e atua no mercado há mais de uma década. Essa experiência trouxe a ela uma série de dúvidas, muitos anseios, e um olhar bastante crítico para a moda e para o consumo atual.

A marca funciona como um projeto de experimentação que confronta a lógica natural dos objetos e transcende sua existência no mundo, sem as pressões e amarras da indústria. As peças são feitas a partir da reconstrução e modificação de tecidos e artigos comprados em lotes, daí o nome. Esses lotes são provenientes de uma longa curadoria obtida através de leilões, famílias vende-tudo, feiras e vendedores diretos. A concepção das peças é um instrumento para exercer questionamentos acerca da liberdade criativa e das restrições impostas pelo grande mercado.

O Bloco foi convidado para desenvolver a sonorização da animação 3D que marcou o início da trajetória da marca.

Biossance Dark Spot

Nascida em 2016 nos laboratórios de uma empresa de biotecnologia na cidade de Berkeley, Califórnia, a Biossance é pioneira no movimento Clean Beauty, que luta por uma indústria de beleza limpa e sustentável, com produtos de skin care livres de toxinas e de crueldade com os animais. Na busca pela cura da malária, os cientistas por trás da marca conseguiram desenvolver o Esqualano — substância que mantém a elasticidade, brilho e a hidratação da pele. Antes retirado do fígado de tubarão, o Esqualano é agora produzido a partir da fermentação da cana-de-açúcar, tornando a matéria prima da Biossance ecologicamente correta, altamente eficaz e segura. No Brasil desde o início de 2018, a marca entrou em contato com o Bloco para desenvolvermos a trilha sonora da campanha do novo Sérum Uniformizador com Vitamina C e Esqualano da linha Dark Spot.

O filme deixa bem claro a beleza existente nas histórias e nas verdades que a pele conta. Manchas registram a passagem do tempo, marcam épocas desafiadoras, carregam recordações, e os sinais na pele pontuam as transformações pelas quais passamos ao longo da vida. Da mesma forma, a trilha sonora foi criada com a intenção de revelar um tom despretensioso e leve, que soasse o mais humano possível. Gravamos contrabaixo semi-acústico e sintetizadores sem nenhum trabalho de pós-gravação, ou seja, optamos por abraçar o acaso sem corrigir algumas notas que eventualmente saíssem da métrica rígida do compasso. Para a parte rítmica, utilizamos recortes de bateria acústica gravadas e sequenciadas com o mesmo objetivo, quase como se fossem retiradas de um ensaio caseiro. O mesmo raciocínio foi usado nos recortes de vocal, que cumprem tanto uma função rítmica quanto melódica e, por vezes, quase desafina. Afinal, buscamos a verdade da vida real.

Bradesco BITZ

BITZ é o novo cartão virtual criado pelo Banco Bradesco que permite aos usuários fazer compras online e também através de aproximação do smartphone. Além da facilidade na operação, o cartão permite transferências grátis e dá até 20% de cashback aos clientes.

Nós fomos convidados pela agência Leo Burnett, parte do grupo Publicis, a criar e produzir a assinatura sonora da marca além da trilha para os filmes de lançamento do produto, que foram veiculados em TV aberta e fechada, emissoras de rádio e também digitalmente.

Nosso ponto de partida foi a assinatura sonora, primeira peça a ser aprovada pelo cliente. A partir dela, que é apresentada no final das peças maiores, desenvolvemos a música, portanto em um processo que veio de trás para frente. A trilha sonora foi feita com uma energia forte e constante do começo ao fim para que o impacto ao público fosse certeiro e todas as atenções se prendessem ao conteúdo. A música possui elementos que se misturam entre o rock e o electro, com uma batida bem marcada, guitarras distorcidas e alguns toques digitais na sonorização para que a mensagem ficasse bem contextualizada à novidade anunciada.

Estúdio Campana

O Estúdio Campana, formado em 1984 pelos irmãos Humberto e Fernando, é um dos maiores nomes brasileiros de design contemporâneo. A forte assinatura da dupla carrega um jeito particular de enxergar e retrabalhar a cultura brasileira, sempre com uma abordagem inusitada sobre elementos corriqueiros do cotidiano. Os irmãos têm grande reconhecimento tanto nacional quanto internacionalmente e são uns dos poucos brasileiros com peças no acervo do MoMA, em Nova Iorque.

Com o objetivo de preservar uma coleção cada vez maior de criações, em 2009 a dupla fundou o Instituto Campana, um gesto que deixa como legado o estabelecimento do design como ferramenta de transformação por meio de programas sociais e educacionais.

Em 2021, o estúdio passou por um processo de reformulação de sua identidade visual feita pela Pharus Design, e o Bloco foi convidado a produzir a trilha sonora que acompanha o vídeo de lançamento do projeto. O primeiro questionamento que nos fizemos foi como poderíamos associar, em uma peça sonora de 1 minuto, a materialidade de objetos do cotidiano com os sons produzidos pelas próprias mãos dentro de uma linguagem que soasse brasileira. A partir daí, partimos para a seleção da paleta sonora, que inclui percussões amadeiradas, superfícies metálicas, potes de vidro, estalar de dedos, palmas, tambores e instrumentos de sopro. A composição em si percorre seu caminho dentro de uma das inúmeras faces da música popular nordestina, região que é fonte inesgotável de inspiração para o design criado pelos irmãos Campana e onde o Instituto tem seu foco de atuação.

Johnson&Johnson

“The Self-Exam Filter” é o projeto criado pela agência Wunderman Thompson Brasil para Johnson&Johnson que foi transformado em um vídeocase. A idéia surge para solucionar um problema que se agravou com o início da pandemia que foi a redução de consultas médicas por medo da contaminação por Covid em clínicas e hospitais. Isso acarretou em um aumento significativo de outras doenças que poderiam ter sido evitadas com exames de rotina, como o câncer de mama.

O projeto consiste em um filtro de Instagram feito para orientar mulheres a fazer o auto exame em casa, com o próprio smartphone, onde sinais gráficos indicam no corpo quais movimentos devem ser feitos. O BLOCO foi convidado a produzir a trilha sonora do videocase, que ganhou reconhecimento nacional e internacional. Fora do Brasil, o projeto entrou para o shortlist de Cannes Lions 2021 na categoria ‘Social & Influencer’. Aqui no Brasil, recebeu três premiações: no 46º anuário do Clube de Criação, o projeto levou Prata na categoria ‘Digital / Interface & Navegação’ e Bronze na categoria ‘Digital / Uso Inovador de Tecnologia’. Já no MMA Smarties 2021, o projeto ficou com Prata na categoria ‘Impacto Social / Sem fins Lucrativos / Ativismo’.

A introdução do filme mostra, de maneira irônica, a futilidade de filtros que distorcem o rosto com o objetivo de aproximá-los de padrões estéticos inalcançáveis. De forma semelhante, a trilha sonora também se inicia com uma batida inocente e superficial, sonorizada como se estivesse saindo de um aparelho de rádio. Após alguns segundos, uma mudança repentina revela o real propósito do filme, reforçado pela música que traz a devida seriedade e urgência do tema. A partir de então, a música entra em um momento com uma batida mais intensa, porém bem polida, que serve de base a um sintetizador ritmado e acelerado, sobre uma cama sonora permanente que sustenta a música enquanto plano de fundo.

Renault Zoe

ZOE é a linha de carros elétricos focada em frotas empresariais de maior aposta da Renault, montadora que é líder em vendas de carros elétricos na Europa e possui o maior parque elétrico nacional atualmente. Em fevereiro de 2021, o Bloco foi convidado a produzir a trilha sonora do filme de lançamento da linha no Brasil.

A primeira metade do filme reforça a importância do tema da sustentabilidade para a Renault e, em seguida, mergulha com mais profundidade nas especificidades dos carros elétricos da marca. Seguindo essa narrativa, criamos uma trilha sonora que se inicia com uma instrumentação mais tradicional de orquestra, com instrumentos acústicos e temas musicais que remetem ao clássico, apesar de modernos. A partir da metade do vídeo, os mesmos temas passam a ser tocados por sintetizadores, que trazem um certo mistério e realçam os aspectos sonoros da eletricidade, conferindo uma mudança de clima essencial para a novidade anunciada.

Johnnie Walker Blue Label

2021 foi um ano de quebra de paradigmas no posicionamento da Johnnie Walker, escocesa líder na fabricação de bebidas alcoólicas premium no mundo. Historicamente focada no público masculino, a filial da marca no Brasil produziu a primeira campanha de Dia das Mães da história da companhia. Blue Label, seu rótulo mais emblemático, foi selecionado para brindar a jornada de um time de mães icônicas: Carol Bassi, Djamila Ribeiro, Rachel Maia e Silvia Braz, além da artista Verena Smit, embaixadora do projeto que também assina a edição especial da garrafa.

Nós fomos chamados a desenvolver a trilha sonora original do vídeo “Manifesto”, o principal da campanha. Percorremos um caminho musical bastante intimista, composto em um campo harmônico que por vezes fica em aberto e por vezes se conclui. Buscamos algo que soasse familiar e resgatasse cargas de memória afetiva de forma acolhedora. Para a paleta sonora, desenhamos timbres orgânicos e ao mesmo tempo nostálgicos, apesar de construídos digitalmente.

Kactus Reel

Trilha sonora original para o Reel 2021 dos parceiros Kactus, duo de diretores e criativos que utiliza o audiovisual e a fotografia para dar vida às idéias, criando novas imagens, histórias e sensações num universo bastante particular.

A intenção da dupla ao formatar este Reel era criar bem mais do que uma mera sequência de projetos. A ideia é que ele fosse um outro projeto à parte, que tivesse uma história própria e uma narrativa independente dos trabalhos que estão sendo expostos. Para isso, foram filmadas cenas extras que criaram as conexões necessárias entre os trabalhos divulgados de forma a consolidar o posicionamento autoral enquanto diretores e criativos.

A.Niemeyer SPFW

A apresentação da A.Niemeyer na edição digital do São Paulo Fashion Week n50, em comemoração aos 25 anos do evento, representa um olhar para dentro. Com o título “Origem”, a coleção recupera o que há de mais essencial desde a fundação da marca: a atemporalidade, que aqui se mostra associada a uma cartela de cores neutras, texturas naturais, modelagens básicas e confortáveis. No filme de apresentação, peças antigas se misturam a peças atuais e de entradas futuras.

Nós fomos convidados a desenvolver a trilha sonora, que se divide em 4 partes: a introdução traz uma base doce de piano elétrico sobre a qual ecoam sons delicados de tambores metálicos programados digitalmente e preenchidos por uma atmosfera que se situa entre o natural e o desconhecido. Na segunda parte, o piano elétrico passa a fazer uma linha ritmada de subida e descida trazendo à tona um padrão musical reconhecível, que ganha protagonismo e se sustenta sobre sons contínuos de sintetizadores em lentas progressões de acordes. Após uma breve pausa, passamos para a terceira parte que é construída a partir de dois acordes de piano elétrico que se intercalam e funcionam como uma ponte que antecipa a parte final da música. Finalmente, a última parte entra para dar corpo e reforçar os acordes de piano elétrico, onde uma linha de baixo e uma harmonia de sintetizadores definem a conclusão da música até que os instrumentos cessam e o que resta é a ambiência acompanhando os créditos finais do filme.