Limbo

Hick Duarte

A exposição Limbo, do fotógrafo e diretor Hick Duarte, é uma reflexão sobre o estado emocional dos jovens em um período especialmente conturbado no Brasil. Através de diferentes mídias, o artista faz um exercício de observação do estado de suspensão da juventude: um lugar de indefinições e inquietações ocupado por uma geração sobrecarregada de informações onde tudo se mistura e perde-se a noção de relevância.

A exposição aconteceu durante 2 semanas em Outubro de 2019 e contou com um filme principal de aproximadamente 12 minutos que era exibido a cada meia hora. A sonorização foi feita para um sistema quadrifônico, isto é, quatro auto-falantes em canais separados dispostos em cada canto da sala, o que permite artifícios espaciais muito mais realistas e complexos do que sistemas comuns em stereo.

A trilha sonora da peça foi desenvolvida por Marcelo Gerab a partir de uma troca constante com o artista, desde a fase de rascunho do storyboard até a concepção do som, e é estruturada em 5 principais momentos:
1. A introdução é tomada por melancolia e tensão, onde acordes contínuos de sintetizadores se sobrepõem a microfonias de guitarras distorcidas tocadas com arco de violoncelo;
2. Adiante, temos uma breve transição que faz com que o tom de mistério se mostre definitivo, com linhas de piano elétrico sobrepostas em loops fora do grid que resultam em uma repetição não sincronizada, combinadas com recortes de percussão programados digitalmente;
3. Em seguida, fizemos uma releitura da roda de capoeira e do toque de berimbau a partir de timbres sintéticos dissonantes e ruidosos, em uma analogia ao mosh pit, comum em shows de metal e hardcore;
4. Na sequência, o filme entra em um intervalo mais delicado e introspectivo, com caráter mais romântico e sonhador, cuja sonorização foi feita a partir de edição digital de recortes de áudio;
5. O final do filme tem uma atmosfera que mistura esperança e incerteza, e a trilha parte para uma progressão de acordes que, combinada a uma percussão sintética, passa gradativamente por todas as 12 notas musicais e se conclui em um grand finale inspirado em clássicas composições de Bach.

O artista Matheus Leston realizou a produção multimídia e programação da peça central da mostra: um filme que é exibido automaticamente em uma grande tela principal, com áudio espacializado e iluminação sincronizada. Nos minutos entre as sessões, a montagem é desconstruída em recortes de cenas isoladas, exibidas em quatro telas laterais independentes, que esmaecem quando o filme começa. Todo o sistema funciona de maneira autônoma, sem necessidade de operação.

A música que acompanha os créditos do filme é composição de Rico Jorge.

CRÉDITOS

Hick Duarte: conceito e direção
Maurício Ianês: curadoria
Ana Sano: coordenação geral
Thinkers: produção executiva e patrocínio
Rodrigo Primo: produção da exposição
Matheus Leston: produção multimídia e programação
Marcelo Gerab (Bloco): sound design, mixagem e finalização
Images e Aya: locação de equipamentos

São Paulo

2019

Hick Duarte
Hick Duarte
Hick Duarte
Hick Duarte
Hick Duarte