Limbo

Hick Duarte

A exposição Limbo, de Hick Duarte, é uma reflexão sobre o estado emocional dos jovens em um período especialmente conturbado no Brasil. Através de diferentes mídias, o artista faz um exercício de observação do estado de suspensão da juventude: um lugar de indefinições e inquietações ocupado por uma geração sobrecarregada de informações onde tudo se mistura e perde-se a noção de relevância.

A trilha sonora da peça foi desenvolvida por Marcelo Gerab a partir de uma troca constante com o diretor, e pode ser estruturada em 5 principais momentos. A introdução está repleta de melancolia e tensão, com acordes contínuos de sintetizadores sobrepostos a microfonias de guitarras distorcidas; Em seguida temos uma transição em tom misterioso, e para isso Gerab gravou algumas linhas de piano elétrico que foram sobrepostas em loops fora do grid para uma repetição não sincronizada das frases, que foram combinadas com loops orgânicos de percussão randomizados digitalmente; Para a terceira parte, fizemos uma releitura da roda de capoeira e do toque clássico de berimbau a partir de timbres sintéticos dissonantes e ruidosos, em uma analogia ao mosh pit comum em shows de hard core; Em seguida, o filme entra em um intervalo mais delicado e introspectivo, com caráter mais romântico e sonhador, e neste trecho a sonorização foi feita a partir de edição digital de recortes de audio; A parte final do filme foi pensada a partir de uma mistura entre esperança e incerteza, e para ela Gerab compôs uma progressão de acordes que, combinada a uma percussão sintética, passa por todas as 12 notas musicais e se conclui em um grand finale clássico inspirado por composições de Bach.

O Bloco também realizou a produção multimídia e programação da peça central da mostra: um filme que é exibido automaticamente a cada trinta minutos em uma grande tela, com áudio espacializado e iluminação sincronizada. Entre as sessões, que acontecem nas horas cheias e meias horas, a montagem é desconstruída em recortes de cenas isoladas, exibidas em quatro telas laterais independentes, que esmaecem quando o filme começa. Todo o sistema funciona de maneira autônoma, sem necessidade de operação.

A música que acompanha os créditos do filme é composição de Rico Jorge.

CRÉDITOS

Hick Duarte: conceito e direção
Maurício Ianês: curadoria
Ana Sano: coordenação geral
Thinkers: produção executiva e patrocínio
Rodrigo Primo: produção da exposição
Matheus Leston (Bloco): produção multimídia e programação
Marcelo Gerab (Bloco): sound design, mixagem e finalização
Images e Aya: locação de equipamentos

São Paulo

2019

Hick Duarte
Hick Duarte
Hick Duarte
Hick Duarte
Hick Duarte